DISPUTA AO GOVERNO DE PERNAMBUCO CHEGA À RETA FINAL COM INVERSÃO NUMÉRICA E DEFINIÇÃO EM ABERTO

A nova rodada da pesquisa IPESPE contratada pela Folha de Pernambuco (registrada no TSE sob número BR-05963/2026 e PE-04196/2026) mostra uma mudança no quadro da disputa pelo Governo do Estado, com João Campos passando numericamente à frente de Raquel Lyra. Na intenção de voto estimulada, João tem 46% e Raquel 45%, configurando empate dentro da margem de erro, mas invertendo a posição observada na rodada anterior.

 INTENÇÃO DE VOTO PARA GOVERNADOR(A) – 1º TURNO

(Resultados com decimais e respectivas margens de erro)

O grau de acirramento fica ainda mais evidente quando se exclui votos em branco, nulos e indecisos. Nesse cálculo, João alcança 49,84% e Raquel 48,22%, separados por apenas 1,62 ponto percentual, enquanto os demais candidatos somam 1,95%. Os dois principais candidatos, portanto, chegam à reta final muito próximos entre si e também do patamar de 50% dos votos válidos, decisivo para definir se a eleição terminará ou não no primeiro turno.

INTENÇÃO DE VOTO PARA GOVERNADOR(A) – 1º TURNO (VOTOS VÁLIDOS)

CANDIDATO% VOTOS VÁLIDOS
João Campos49,84
Raquel Lyra48,22
Ivan Moraes1,08
Professora Camila,65
Renan,22

INTENÇÃO DE VOTO PARA GOVERNADOR(A) – 1º TURNO (Evolução)

A simulação de segundo turno reforça a mesma fotografia. João  Campos tem 48% e Raquel Lyra, 46%, invertendo também numericamente a posição registrada no levantamento realizado para a Folha em julho, quando a Governadora aparecia com 47% e João com 45%. Em ambos os cenários, as diferenças estão dentro da margem de erro.

INTENÇÃO DE VOTO PARA GOVERNADOR(A) – ESTIMULADA 2º TURNO (%)


Na questão de probabilidade de voto, João tem 46% de eleitores que afirmam votar nele com certeza e outros 14% que admitem que poderiam votar, alcançando potencial de 57%. Já Raquel registra 45% de voto certo e 14% de voto possível, totalizando 56%. Na outra extremidade, as rejeições também estão próximas: 40% afirmam que não votariam em Raquel de jeito nenhum e 39% dizem o mesmo em relação a João.

Ambos os candidatos chegam à última semana com dimensões semelhantes de voto consolidado, potencial de crescimento e resistência eleitoral, deixando margens estreitas para a conquista de novos eleitores.

Os percentuais de intenção de voto estão alinhados com a percepção sobre o desempenho dos candidatos na campanha. João é citado por 40% como o candidato que está fazendo a melhor campanha, contra 39% de Raquel. Na propaganda de televisão, aparece com 36%, diante de 34% da governadora.

João Campos

Raquel Lyra:

Ampla vantagem de Lula na eleição presidencial

Se a corrida estadual apresenta resultados nos limites das margens de erro, a eleição presidencial apresenta configuração bastante vantajosa ao Presidente Lula em Pernambuco, que lidera com 55% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 24%. Augusto Cury tem 5%, enquanto Ronaldo Caiado e Renan Santos registram 2% cada.

Em relação à rodada de pesquisa Folha/IPESPE de julho, Lula oscila de 58% para 55%, enquanto Flávio Bolsonaro passa de 20% para 24%. A distância entre os dois, ainda assim, permanece ampla: 31 pontos percentuais.

Na pergunta espontânea, Lula alcança 54%, enquanto Flávio registra 20%, outro sinal do elevado grau de consolidação do voto presidencial no Estado. Em eventual segundo turno, Lula marca 58%, contra 26% de Flávio Bolsonaro.

A força eleitoral do Presidente ajuda a dimensionar também o peso de sua presença na disputa estadual. Para 48% dos pernambucanos, o apoio de Lula a um candidato a governador aumenta a chance de votar nesse nome, enquanto para 17% diminui. Entre os eleitores de João, 72% afirmam que esse apoio aumenta a chance de votar nele e para 5% diminui. Já entre os eleitores de Raquel esses percentuais são 27% e 34%, respectivamente. Vale lembrar que apenas 20% das entrevistas foram aplicadas após a visita do Presidente Lula.

IMPACTO DO APOIO DE LULA PARA UM(A) CANDIDATO A GOVERNADOR(A)

(%)TOTALINTENÇÃO DE VOTO GOVERNADOR
JOÃO CAMPOSRAQUEL LYRAOUTROSNENHUM / BRANCO/ NULONS/NR
Aumenta487227441735
Não altera292037444523
Diminui19534131915
NS/ NR44201927

Senado tem Marília na liderança, mas segunda escolha está indefinida

 Na primeira escolha para senador, Marília Arraes permanece numericamente à frente, com 24%, seguida por Humberto Costa, com 18%, e Mendonça Filho, com 16%. Eduardo da Fonte aparece com 8% e Túlio Gadêlha, com 5%.

No segundo voto, as distâncias diminuem: Marília registra 17% e Humberto, 16%, seguidos por Mendonça Filho e Eduardo da Fonte, ambos com 11%, e Túlio Gadêlha, com 7%. Um dado particularmente importante é o grau de indefinição dessa segunda escolha: 20% indicam branco ou nulo e 22% ainda não sabem em quem votar, mostrando que a corrida ao Senado conserva um espaço de movimentação consideravelmente maior do que a disputa pelo Governo.

No agregado do primeiro e do segundo votos, Marília mantém a dianteira, com 21% das menções, seguida por Humberto, com 17%, Mendonça Filho, com 14%, Eduardo da Fonte, com 10%, e Túlio Gadêlha, pontuando abaixo de dois dígitos (6%). A configuração mostra Marília numericamente à frente na corrida pelas duas vagas, enquanto a disputa entre os nomes que vêm em seguida permanece mais indefinida — sobretudo diante do elevado contingente de eleitores que ainda não definiu sua segunda escolha. A eleição binominal costuma ser definida nos instantes finais na disputa.

A última semana

Por último deve-se reiterar que as pesquisas eleitorais não são prognósticos e sim uma fotografia das atitudes dos eleitores em dado momento.  A pesquisa Folha/IPESPE, a uma semana da eleição, mostra um quadro de reta final especialmente sensível às últimas movimentações da campanha.

Mesmo com elevado grau de consolidação das intenções de voto (86% declaram que a escolha é definitiva), uma disputa com diferença tão pequena faz com que movimentos marginais no comportamento do eleitorado possam alterar a posição relativa dos candidatos e a própria definição sobre a realização de segundo turno.

Nesse contexto, os acontecimentos recentes e seus desdobramentos na campanha ganham relevância – a repercussão do vídeo com declarações de Raquel Lyra sobre laqueadura  e a presença do Presidente Lula no Recife –, assim como será muito importante a avaliação e a repercussão do desempenho dos candidatos nos debates da Rede Globo e da TV Jornal nessa última semana, e a capacidade de cada campanha de mobilização dos eleitores no dia da eleição.