- 11 de outubro de 2026
- Posted by: IPESPE WebAdmin
- Categories: Conteúdos, Pesquisa Ipespe, Pesquisas
Com apenas 3% de indecisos, PT e PL ajustam discursos para atrair quem não votou no primeiro turno, que são mais de 33 milhões.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
A disputa pelo Palácio do Planalto entra em sua fase mais aguda com as campanhas focadas em um segmento restrito do eleitorado. O mais recente levantamento do Ipespe, divulgado neste sábado (10 de outubro), revela que a definição do segundo turno passa obrigatoriamente pela parcela minoritária que ainda hesita.
Com 97% dos eleitores afirmando que manterão seus votos do primeiro turno, a margem para reviravoltas no eleitorado já cristalizado é praticamente nula.
Na pesquisa estimulada, Flávio Bolsonaro (PL) alcança 49% das intenções de voto totais, enquanto Lula da Silva (PT) registra 44%. Considerando a margem de erro de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos, os candidatos configuram um cenário de empate técnico no limite da margem de erro.
Em votos válidos, a vantagem numérica é do candidato do PL, com 52,7% contra 47,3%.
Diante deste quadro de extrema paridade, os 3% de indecisos e os 5% que declaram voto branco ou nulo se transformaram nos alvos principais dos estrategistas em Brasília.
A matemática do empate e o peso do centro
A estratégia de atração desses eleitores esbarra na aritmética deixada pelo primeiro turno.
A diferença oficial entre os dois postulantes foi de apenas 1,87 ponto percentual, o que representa 2,22 milhões de votos.
Para as coordenações de campanha, o contingente de 9,3 milhões de eleitores que optaram por outros nomes na etapa inicial representa o caminho mais direto para garantir a vitória.
O foco das propagandas eleitorais no rádio e na TV já reflete essa necessidade absoluta de moderação.
Nos comitês petistas e bolsonaristas, o diagnóstico atual é semelhante.
“O espaço para erro não existe nesta reta final”, avaliam coordenadores políticos nos bastidores.
Em vez de discursos voltados apenas para as próprias bolhas, as campanhas buscam modular o tom.
Para o eleitor autodeclarado independente, que hoje se divide perfeitamente ao meio (44% para cada lado, segundo o Ipespe), a pauta econômica pragmática ganha centralidade sobre as guerras puramente ideológicas.
O reservatório de votos em disputa

Estratégias opostas para o mesmo eleitorado
Para tentar reverter a desvantagem numérica, a equipe de Lula aposta em uma megaoperação para reduzir a abstenção.
Historicamente mais elevada entre eleitores de menor faixa de renda, a ausência nas urnas prejudicou o PT no primeiro turno.
A mensagem central desenhada para a TV baseia-se na memória econômica e na tentativa de convencer o eleitor mais vulnerável de que “comparecer às urnas é a única forma de defender o próprio bolso”.
Do outro lado, a campanha de Flávio trabalha para manter o engajamento elevado, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde construiu sua frente de votos. A tática envolve reforçar a rejeição ao adversário histórico e consolidar a percepção de que o PL representa um caminho de estabilidade.
“A eleição será decidida na capacidade logística de levar o eleitor à urna no dia 25”, projeta um analista de campanhas que acompanha as dinâmicas regionais.
Com a eleição empatada, o jogo agora é de puro pragmatismo e poder de mobilização.
Ficha técnica da pesquisa:
• Instituto: Ipespe/Abrapel
• Amostra: 1.500 entrevistas por telefone em todo o território nacional
• Período de campo: 6 a 8 de outubro de 2026
• Margem de erro: 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos • Nível de confiança: 95%
• Registro no TSE: BR-00933/2026
Ver matéria original: https://bncamazonas.com.br/poder/com-97-dispostos-a-repetir-voto-lula-e-flavio-miram-faltosos/