Com 97% dispostos a repetir voto, Lula e Flávio miram faltosos — Publicado por: BNC Amazonas, 10/10/2026

Com apenas 3% de indecisos, PT e PL ajustam discursos para atrair quem não votou  no primeiro turno, que são mais de 33 milhões. 

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas 

A disputa pelo Palácio do Planalto entra em sua fase mais aguda com as campanhas  focadas em um segmento restrito do eleitorado. O mais recente levantamento do  Ipespe, divulgado neste sábado (10 de outubro), revela que a definição do segundo  turno passa obrigatoriamente pela parcela minoritária que ainda hesita. 

Com 97% dos eleitores afirmando que manterão seus votos do primeiro turno, a  margem para reviravoltas no eleitorado já cristalizado é praticamente nula. 

Na pesquisa estimulada, Flávio Bolsonaro (PL) alcança 49% das intenções de voto  totais, enquanto Lula da Silva (PT) registra 44%. Considerando a margem de erro de  2,6 pontos percentuais para mais ou para menos, os candidatos configuram um  cenário de empate técnico no limite da margem de erro. 

Em votos válidos, a vantagem numérica é do candidato do PL, com 52,7% contra  47,3%. 

Diante deste quadro de extrema paridade, os 3% de indecisos e os 5% que declaram  voto branco ou nulo se transformaram nos alvos principais dos estrategistas em  Brasília. 

A matemática do empate e o peso do centro 

A estratégia de atração desses eleitores esbarra na aritmética deixada pelo primeiro  turno. 

A diferença oficial entre os dois postulantes foi de apenas 1,87 ponto percentual, o  que representa 2,22 milhões de votos. 

Para as coordenações de campanha, o contingente de 9,3 milhões de eleitores que  optaram por outros nomes na etapa inicial representa o caminho mais direto para  garantir a vitória. 

O foco das propagandas eleitorais no rádio e na TV já reflete essa necessidade  absoluta de moderação.

Nos comitês petistas e bolsonaristas, o diagnóstico atual é semelhante. 

“O espaço para erro não existe nesta reta final”, avaliam coordenadores políticos nos  bastidores. 

Em vez de discursos voltados apenas para as próprias bolhas, as campanhas buscam  modular o tom. 

Para o eleitor autodeclarado independente, que hoje se divide perfeitamente ao  meio (44% para cada lado, segundo o Ipespe), a pauta econômica pragmática ganha  centralidade sobre as guerras puramente ideológicas. 

O reservatório de votos em disputa 

Estratégias opostas para o mesmo eleitorado 

Para tentar reverter a desvantagem numérica, a equipe de Lula aposta em uma  megaoperação para reduzir a abstenção. 

Historicamente mais elevada entre eleitores de menor faixa de renda, a ausência nas  urnas prejudicou o PT no primeiro turno. 

A mensagem central desenhada para a TV baseia-se na memória econômica e na  tentativa de convencer o eleitor mais vulnerável de que “comparecer às urnas é a  única forma de defender o próprio bolso”. 

Do outro lado, a campanha de Flávio trabalha para manter o engajamento elevado,  principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde construiu sua frente de votos. A  tática envolve reforçar a rejeição ao adversário histórico e consolidar a percepção de  que o PL representa um caminho de estabilidade. 

“A eleição será decidida na capacidade logística de levar o eleitor à urna no dia 25”,  projeta um analista de campanhas que acompanha as dinâmicas regionais. 

Com a eleição empatada, o jogo agora é de puro pragmatismo e poder de  mobilização. 

Ficha técnica da pesquisa: 

• Instituto: Ipespe/Abrapel 

• Amostra: 1.500 entrevistas por telefone em todo o território nacional

• Período de campo: 6 a 8 de outubro de 2026 

• Margem de erro: 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos • Nível de confiança: 95% 

• Registro no TSE: BR-00933/2026 

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