- 29 de setembro de 2025
- Posted by: IPESPE WebAdmin
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A economia ainda será a prova dos nove para se medir a competitividade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais do próximo ano. O presidente circunstancialmente está sendo beneficiado pela sequência de erros da oposição, que perdeu o rumo ao apostar na radicalização e na intervenção externa. Mas sua situação é frágil enquanto a maioria do eleitorado considerar que o Brasil está indo para o rumo errado na economia e que sequer a percepção de crescimento está sendo transmitida.
Dados passados com exclusividade para esta coluna pelo Ipespe corroboram o resultado de outras pesquisas feitas no início do mês. A avaliação da economia pelo eleitor já foi pior, mas ainda assim 54% dos entrevistados consideram que estamos no rumo errado.
Há dois meses este percentual era de 58%, mas o governo está se escorando sobretudo na avaliação de sua bolha, o que coloca um teto em sua recuperação. Entre os eleitores que se afirmam de esquerda 88% veem o governo no rumo certo, percentual que recua para 21% entre os eleitores que se dizem de centro e para 43% entre os que não conseguem se se enquadrar em nenhuma ideologia.
Também há limites claros no voo de Lula conforme a autopercepção de classe econômica. Entre os eleitores que se percebem de classe média, que correspondem a 55% do total, 35% veem a economia andando para trás e para 26% ela está parada.
Mesmo entre os eleitores que se afirmam pobres, a situação econômica também não desperta ânimo. Neste universo 36% afirmam que estamos retrocedendo e 22%, que estamos parados. Para 50% dos eleitores que se enxergam como pobres a economia está indo para o rumo errado.
A inflação, sobretudo a inflação de alimentos, aliada à geração de emprego, são as duas principais métricas do eleitorado para se avaliar a economia. Como demonstrou a repórter Marta Watanabe na edição do Valor de sexta-feira, a inflação de alimentos no Brasil em um ano foi superior à registrada nos Estados Unidos, onde o tema é o calcanhar de Aquiles da popularidade do presidente americano Donald Trump. Ainda que a curva tenha mudado a sua trajetória em abril ( não por acaso a data em que a popularidade de Lula estancou a trajetória de queda em que estava até então), a sensação de incômodo com o aumento de preços ultrapassa 60% do eleitorado, segundo pesquisas recentes.
Esta percepção ruim da economia bloqueia o avanço de Lula fora de seu eleitorado tradicional, sobretudo no Sudeste, principal razão para a sua vitória em 2022.
Sim, Lula é hegemônico no Nordeste, mas quem deu a vitória a ele há três anos foi a franja de eleitores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que se desiludiram com o bolsonarismo.
A oposição viveu seu melhor momento contra Lula ao mirar na economia, na picanha cara, no café pela hora da morte, o ovo em disparada, etc. Caso retome o ataque por esse flanco e acene com uma bandeira de crescimento, na linha de 40 anos em 4, ensaiada pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas antes de ser cravejado pelas balas dos seus próprios companheiros de trincheiras, terá elementos para deixar o presidente em uma situação difícil.
Se a aposta da oposição for um plebiscito popular sobre o destino judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que será o caso se o principal candidato da oposição tiver o seu sobrenome, Lula estará em uma zona de maior conforto, porque quem está insatisfeito com a sua política econômica terá mais dificuldade em enxergar uma alternativa.
É evidente, portanto, a zona de perigo em que a candidatura presidencial à reeleição navega. Se o Planalto apostar que a oposição seguirá cometendo erros estratégicos estará se colocando na situação de depender de variáveis fora do seu controle.
Colocar a inflação em trajetória de queda e transmitir a sensação de que o governo proporciona segurança econômica é crucial para qualquer projeto de reeleição.
Ver matéria na íntegra em: https://valor.globo.com/politica/pergunte-aos-dados/post/2025/09/economia-freia-projeto-de-lula-iv-em-2026.ghtml